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Rusga familiar

Ana Arraes ataca João Campos, cobra desculpas do neto e cogita se candidatar a governadora de Pernambuco

Ministra do TCU ressente-se com o fato de o neto ter dito, na Câmara dos Deputados, que o tio, Antônio Campos, "é um sujeito pior" do que o ministro Abraham Weintraub

Publicado em 07/01/2020, às 21h47

Ana Arraes é ministra do TCU desde 2011 / Foto: Agência Câmara
Ana Arraes é ministra do TCU desde 2011
Foto: Agência Câmara
Da editoria de Política

Atualizada às 18h46 da quarta-feira (8)

Ex-deputada federal, filha do ex-governador Miguel Arraes e mãe do também ex-governador Eduardo Campos, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes, 72 anos, rompeu o silêncio, nesta terça-feira (7), e disparou contra seu neto, o deputado federal João Campos (PSB): “Me agrediu”. A declaração da ministra foi dada ao jornalista Jamildo Melo, que já havia publicado palavras semelhantes dela anteriormente em carta sobre as rusgas entre João e o filho Antônio Campos (Pode).

Ouça a entrevista de Ana Arraes na íntegra:

A rusga entre Ana Arraes - que se desfiliou oficialmente do PSB no dia 7 de outubro de 2011, segundo consta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - e o neto surgiu depois que ele afirmou, durante reunião da Comissão de Educação da Câmara, que o tio, o advogado e presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) Antônio Campos, seria “pior” do que o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Na ocasião, após ouvir várias críticas do deputado, o auxiliar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lembrou que o tio do parlamentar fazia parte do governo. “Nem relação eu tenho com ele. Ele é um sujeito pior que você”, retrucou João, à época.

Questionada sobre o sentimento que nutre pelo neto após o ocorrido, Ana Arraes deixa claro que ainda não o perdoou. “Eu espero que ele me peça desculpa. Se ele não pedir nem me procurar, o problema é dele. Quem me agrediu foi ele. Eu não o agredi, nunca agredi nenhum neto. Muito pelo contrário, sempre fui avó. Sou uma pessoa calma, tenho tranquilidade para resolver as coisas, mas tem coisas que a gente não pode admitir, porque fui criada para ter respeito com as pessoas. Nem falar português corretamente na ocasião ele falou. Ele se reportou ao ministro como ‘você’, quando todos sabem que esse termo não deve ser usado com um ministro, e sim ‘vossa excelência’”, declarou.

A ministra também fez questão de defender a imagem do seu caçula, Antônio Campos, a quem classificou como “uma pessoa decente, trabalhadora e educada”. “Ele foi desrespeitoso com um tio que é uma pessoa decente, trabalhadora, competente, educada. Como eu eduquei o pai dele (João), eu eduquei o irmão, e os meus dois filhos foram bem educados, os criei com os meus garfos e ensinei as coisas que eles foram desenvolvendo por si próprios. Por isso eu não admito que um neto venha criticar um tio da forma como ele fez. Na minha família isso não existe”, cravou Ana.

Eu vou me aposentar daqui a dois anos e meio e se eu estiver bem como estou agora, pois já sou uma idosa, eu pretendo continuar na luta

Deputada federal por dois mandatos consecutivos (de 2007 a 2011, quando chegou ao TCU), a ministra não negou ter vontade de concorrer novamente a um cargo eletivo, desta vez no Executivo. “Eu vou me aposentar daqui a dois anos e meio e se eu estiver bem como estou agora, pois já sou uma idosa, eu pretendo continuar na luta. Na luta pelo povo pobre de Pernambuco, pelas crianças que precisam de creches, umas das minhas batalhas na Câmara. Eu fiz dez creches com emendas de orçamento na Mata Sul. Sempre pensei nesses meninos que precisam de escola boa, e esse foi um dos programas que foram mais à frente nos governos de Eduardo, também ajudado por mim, através de emendas parlamentares”, disse.

"Problema é dele", diz Ana Arraes

Focada, Ana Arraes não parece preocupar-se com possíveis opositores ao seu projeto, como o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), socialista mais cotado para suceder Paulo Câmara (PSB) em 2022. Quando questionada sobre a provável rejeição do gestor municipal à sua candidatura, a ministra foi direta: “aí é problema dele (se não aprovar a ideia), não meu. Eu quero saber quem é mais antigo e quem tem o que mostrar”, provocou.



Além do João, outro membro da Família Arraes também tem o nome ventilado para concorrer à Prefeitura do Recife em 2020, a deputada federal Marília Arraes (PT). Em 2018, às vésperas da eleição para o governo estadual, Marília foi preterida de concorrer ao Palácio do Campo das Princesas após o PT firmar aliança com Paulo e apoiá-lo no pleito. Hoje, a parlamentar ensaia uma pré-candidatura ao Executivo municipal e, para Ana Arraes, ela tem o direito de participar da disputa.

Ministra do TCU, Ana Arraes vai se aposentar dentro de pouco mais de dois anos

“Ela tem todo o direito de ser candidata. Todos têm direito de ser candidatos, mas eu quero dizer, também, que a origem política é minha. Eu sou filha de Miguel Arraes, mãe de Eduardo Campos e Antônio Campos, criei os dois na política, sempre estiveram com o avô deles, então o nascedouro é meu”, disparou a ministra.

Apesar de verborrágica em alguns aspectos, Ana Arraes esquivou-se em responder algumas perguntas direcionadas a ela durante a entrevista. A ministra evitou, por exemplo, revelar detalhes da sua relação com a viúva de Eduardo, Renata Campos, e dar sua opinião sobre o preparo de João para gerir a cidade do Recife, caso eleito. “Aí é preciso perguntar a ele (João), não vou dar nenhum diagnóstico”, afirmou.

Respostas à entrevista de Ana Arraes

João Campos (PSB): Procurada, a assessoria de imprensa do deputado João Campos informou que ele não vai comentar as declarações da ministra. 

Marília Arraes (PT): A assessoria da deputada federal Marília Arraes informou que a deputada está em viagem e não vai se pronunciar sobre a citação da ministra do TCU.

Tadeu Alencar (PSB): O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Tadeu Alencar (PSB), informou, durante visita do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli ao Palácio do Campo das Princesas, que não irá se pronunciar sobre o assunto. 




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