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Entrevista
Eleições

Fechado com o PSB no Recife, Eduardo da Fonte diz que PP-PE terá ao menos 100 candidatos a prefeito em 2020

Em entrevista ao JC, o deputado federal reafirmou a independência do partido e falou sobre as estratégias progressistas para o pleito desse ano

Publicado em 24/01/2020, às 21h20

Eduardo da Fonte é presidente do PP em Pernambuco / Foto: Câmara dos Deputados
Eduardo da Fonte é presidente do PP em Pernambuco
Foto: Câmara dos Deputados
Renata Monteiro

Em meio ao seu quarto mandato como deputado federal, o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, tem usado o recesso parlamentar que segue até o dia 2 de fevereiro para intensificar viagens ao interior do Estado, onde vem lançando várias pré-candidaturas para as eleições 2020. A meta do progressista é a disputa de pelo menos 100 prefeituras no pleito desse ano. Ele defende a independência da agremiação, mas, no Recife, está fechado com o PSB e diz que o grupo de oposição aos socialistas pode ser prejudicado pela vaidade de seus membros: “muito cacique e pouco índio”. 

ENTREVISTA

JORNAL DO COMMERCIO – Qual a estratégia do PP para a eleição de prefeitos na eleição desse ano?

EDUARDO DA FONTE – A gente definiu, no diretório estadual, que devemos lançar em torno de 100 candidaturas a prefeito no Estado. Candidaturas fortes, que tenham chances reais de vitória. Estamos trabalhando em cidades importantes, como Caruaru, onde temos o deputado (Erick) Lessa, em Arcoverde temos o delegado Israel (Rubis), em Garanhuns temos Zaqueu, o vereador mais votado da última eleição e que aparece nas pesquisas em primeiro lugar, em Santa Cruz do Capibaribe teremos a candidatura de Fernando Aragão. Na Região Metropolitana a gente deve lançar candidaturas em Ipojuca, em Camaragibe, Abreu e Lima, Igarassu, Paulista e nas outras cidades estamos conversando ainda. (...) A gente tem buscado as cidades grandes, com mais de 50 mil eleitores, para focar nesse primeiro momento. Só agora estamos começando a entrar nas cidades com menos de 50 mil eleitores para nos consolidar em todas as regiões do Estado.

JC - Os deputados estaduais do partido também participam dessa movimentação?

DA FONTE – Nossa bancada, que é composta hoje por 11 deputados, também está trabalhando para que a gente possa lançar candidaturas em várias regiões. Temos postulantes em Ribeirão, reduto de Clóvis Paiva. (...) Na Mata Norte temos outra candidatura importante, de Marinaldo Rosendo, ex-deputado federal e ex-prefeito de Timbaúba. No Agreste, o ex-deputado Zé Maurício é candidato em João Alfredo, Miguel Barbosa em Bom Jardim, a esposa de Eriberto (Medeiros, deputado estadual), Mariana Medeiros, é candidata à reeleição em Cumaru. A tia de Claudiano Martins vai concorrer em Itaíba, o primo, em Manari. Fabrízio Ferraz tem lançado candidaturas importantes no Sertão do São Francisco. Em todo o Estado nós temos candidaturas indicadas por deputados.

JC – Como conciliar essa rotina com os trabalhos na Câmara dos Deputados?

DA FONTE – Isso nós já temos feito desde o ano passado e vamos dar mais intensidade esse ano. Eu fico no partido geralmente toda sexta e segunda. Sábado e domingo eu estou indo para o interior. A gente tem percorrido as regiões e tem atendido o pessoal no partido. Para você ter uma ideia, nesse mês de janeiro, nessas três primeiras semanas, eu saí do partido todo dia quase meia-noite, uma hora da manhã, recebendo o pessoal. Atendi muita gente, muitas pré-candidaturas a gente já tem anunciado. (...) Também estamos trabalhando intensamente na chapa de vereadores do Recife, para que a gente possa eleger uma bancada de dez parlamentares, como elegemos a de deputado, com dez deputados estaduais. Hoje (24/01), por exemplo, anunciamos a pré-candidatura a vereador no Recife de um integrante da família Arraes, Humberto Arraes, e filho da deputada Roberta Arraes.

JC – O senhor pode falar mais sobre a estratégia do PP para as eleições proporcionais?

DA FONTE – As novas regras complicam e ao mesmo tempo simplificam muito o pleito eleitoral. Agora, a convenção do vereador vai ser no prazo da janela de filiação. Depois disso o vereador e o pré-candidato não vão poder mudar de partido nem coligar com outra sigla, então a convenção de agosto será simplesmente homologatória. Por isso, estamos intensificando, buscando dar corpo à chapa, buscando candidaturas de quadros que querem ingressar na política. Estamos mapeando, conversando com muita gente, trazendo delegado, policial, agente, PM, médico, todas as profissões liberais de quem quer disputar o pleito e também vereadores que já estão na Câmara de Vereadores e vão ter que fazer a migração partidária.

JC - O senhor acredita que haverá muitas migrações?

DA FONTE – Hoje, o nosso partido tem uma competitividade mais interessante do que a chapa do PSB, que tem 14 vereadores de mandato e 12 deles têm potencial para ter mais de 10 mil votos. Isso é uma chapa boa para quem tem muito voto, porque eles aceitam todos os candidatos. Nós não estamos aceitando candidatos que tenham potencial de mais de 10 mil votos, a gente está recebendo o pessoal com potencial para cerca de 5 mil votos, entre 4 e 6 mil, uma chapa intermediária, mas com garantia para os candidatos, porque não é uma chapa que vai derreter. E quando passar desse prazo de filiação nós vamos ter seis meses até a eleição, isso vai prejudicar muito chapas pequenas, que têm candidatos que dizem que vão ser candidatos hoje, mas depois desistem.

JC – Recentemente o senhor garantiu que, no Recife, o PP estará no mesmo palanque que o PSB. Em Petrolina, no entanto, o partido fechou com Miguel Coelho (MDB), membro de um grupo que faz uma oposição ferrenha aos socialistas no Estado. Esse tipo de decisão gera algum tipo de desgaste do partido com os socialistas?



DA FONTE – O PP faz parte da Frente Popular, mas é um partido independente. Um partido que tem musculatura no Estado e independência. Nós temos hoje 11 deputados na Assembleia. O partido tem vida própria, ele não depende do PSB. A gente integra a Frente Popular desde a sua formação, é importante que se diga isso, pois desde 2006 a gente faz parte da coligação, diferente de outros partidos que entram e saem, então nós temos uma história com legitimidade e com toda a independência de tomar decisões nos municípios, de acordo com o nosso entendimento e com as nossa convicções. O que levou a gente a tomar a decisão de Petrolina é o desempenho que o prefeito vem tendo à frente da administração. Consultamos os correligionários da cidade, a maioria foi pelo apoio à reeleição de Miguel, que está fazendo uma grande gestão, e não teria porquê a gente tomar uma decisão diferente.

JC – Como o senhor avalia que será a eleição municipal do Recife?

DA FONTE – Essa será uma eleição importantíssima, acho que João (Campos, PSB, deputado federal) tem todas as credenciais para chegar à cadeira de prefeito, mostrando a sua capacidade administrativa, mostrando que se preparou para disputar e assumir a cadeira de prefeito e com a grande frente política que está se construindo para defender a candidatura dele.

JC – Na sua visão, o grupo de oposição que tentou desbancar o PSB em 20148 terá um ou mais candidaturas?

DA FONTE – Eu acredito que eles (oposição) estão conversando, fazendo pesquisa, há a vaidade também, que é difícil de ser administrada, pois todos acham que se forem o candidato podem ganhar. A vaidade atrapalha a arrumação da oposição. É muito cacique e pouco índio. (...) Eu acho que, nos dois cenários, ele (João) tem condições para chegar à prefeitura.

JC - Nas eleições de 2018, o PP ensaiou sair da Frente Popular. As questões daquela época já foram resolvidas? Como anda, hoje, a relação do senhor com o governador Paulo Câmara e com o PSB, de maneira geral?

DA FONTE – Nós temos uma relação muito boa. (...) Em 2018, qualquer posicionamento que tenha havido faz parte do processo democrático, até mesmo porque nós precisamos defender o crescimento do nosso partido. Se houve qualquer tensionamento, foi buscando o crescimento e tudo terminou tranquilamente, com o partido elegendo dez deputados estaduais e dois federais.

JC – Seu filho, Lula da Fonte, presidente da Juventude do PP, tem aparecido sempre ao seu lado em agendas políticas. Ele deve concorrer em 2020?

DA FONTE – Não. Agora a prioridade dele é terminar a faculdade de direito, ele está no terceiro período. Vamos pensar para 2022 alguma coisa, mas não tem ainda nada concreto. Agora ele está militando, é importante para conhecer como funciona, mas a nossa prioridade é que ele se forme.




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