Jornal do Commercio
Lá onde eu moro

No meio da Imbiribeira, tem uma lagoa

A região acolhe no seu traçado urbano a única lagoa natural da cidade, a agitada Mascarenhas de Morais, o Geraldão e uma vila de nome homônimo ao bairro, que é apresentado pelo músico Onimair Firmino

Publicado em 17/09/2012, às 17h43

A Lagoa do Araçá é a única natural da cidade / Guga Matos/ JC Imagem
A Lagoa do Araçá é a única natural da cidade
Guga Matos/ JC Imagem
Bárbara Buril

No meio do caminho entre Afogados e Boa Viagem, está o bairro da Imbiribeira, situado na Zona Sul do Recife. Apesar de ser uma região por onde grande parte dos recifenses passa diariamente, ela continua marcada pelo desconhecimento. Poucas pessoas sabem, mas, muito além da Lagoa do Araçá e do Geraldão, oficialmente chamado de Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, o lugar sediou importantes batalhas e eventos históricos.

Quem conhece bem a área é o guitarrista da banda Faces do Subúrbio, Onimair Firmino, 43 anos. É ele quem apresenta o bairro para a série Lá onde eu moro deste domingo.

Oni, como é mais conhecido, vive há 39 anos na Vila da Imbiribeira, pequena comunidade situada no lado oposto ao da bela Lagoa do Araçá. O músico, no entanto, não se limita ao que o lugar onde mora oferece. Pelo menos uma vez por semana, faz corridas na pista de cooper da única lagoa natural da cidade e, aos domingos, aproveita para levar os sobrinhos para se divertirem no parquinho de lá.

A vista da Lagoa do Araçá é imbatível. A vegetação no seu entorno e as nuvens do céu se refletem na água verde-escura do espelho-d’água. “Quando eu era pequeno, jogava bola ali”, aponta Oni, lembrando do tempo de suas peladas no local. “Deram uma revitalizada, até que ficou bom!”

O pequeno lago passou por um processo de urbanização e paisagismo quando, em 1994, foi inaugurado o Parque Ecológico Lagoa do Araçá. Na reforma, a abundância dos manguezais foi contida, assim como podada foi a embira, espécie botânica de grande porte que deu nome ao bairro.

Como conta a pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) Semira Adler, na pesquisa Imbiribeira (bairro, Recife), a origem da Imbiribeira vem do antigo Sítio da Barreta, onde ocorreram inúmeros combates entre portugueses e holandeses de 1645 a 1654. No local também foram executados alguns participantes da Revolta da Armada, em 1893.

O bairro, como ele é hoje, conta com uma das mais conhecidas avenidas do Recife: a Marechal Mascarenhas de Morais. Batizada em homenagem ao comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Segunda Guerra, ela entrecorta toda a região, desde o aeroporto até a Ponte Motocolombó. É lá onde estão instaladas lojas e empresas de destaque.



Outro importante ponto da Imbiribeira é o Geraldão. Oni já trabalhou no centro esportivo por alguns meses em um dos projetos sociais realizados pela Prefeitura do Recife no local. No passado, vale lembrar, era no ginásio que se apresentavam as grandes estrelas da música popular brasileira. Atualmente é perceptível a sua decadência.

É na avenida principal onde está localizada também a estação de metrô, meio de transporte bastante utilizado por Oni. “Agora com a ampliação da rede para Boa Viagem é que a gente pode usá-lo mais”, acrescenta. A localização do bairro é, para ele, um fator positivo: “A Mascarenhas de Morais e o metrô tornam o Bairro do Recife e a Praia de Boa Viagem mais próximos. Bom demais!”

Oni também curte a Vila da Imbiribeira, onde a pracinha é um dos pontos de encontro do bairro. De lá, sai na semana pré-carnavalesca o Urso dos Brothers, criado por ele com a parceria de amigos. O símbolo do bloco é representado com cabelo rastafári para imitar o estilo dos idealizadores quando eram jovens.

No Carnaval deste ano, a agremiação comemorou o aniversário de 18 anos com o tema diversidade sexual. “Três meses antes da folia, distribuímos panfletos informativos para os moradores”, conta Oni. O urso saiu fantasiado de drag queen. Apesar do conteúdo humorístico, “o bloco é de família”, assegura.

Próximo à pracinha de onde saem os carnavalescos do bairro, está um dos seus botecos prediletos: o Bar do Max, localizado na Rua Doutor Valdir Pessoa. Ainda que vá vez ou outra aos restaurantes Lenhador, na Av. José Ferreira Lins (perto da Lagoa do Araçá), e A Gauchinha, na Mascarenhas de Morais, ele prefere os de “preços menos salgados”. “Tem muitos barzinhos aqui dentro da vila frequentado por gente de fora. O Bar do Max é famoso pelos frutos do mar, que são fresquinhos. Além do mais, tudo é bem barato.”

Conhecido que só, assim que Oni entra no Bar do Max todos o cumprimentam na maior intimidade. O dono logo corre para a cozinha e volta com três generosas porções de camarão, carne e peixe. Sentado e bem acompanhado pelas iguarias da casa, o músico curte a sombra e a brisa daquela tarde na vila.

Na Imbiribeira, o músico transita entre a comunidade e a área residencial situada ao redor da Lagoa do Araçá. “Gosto muito das duas partes do bairro, mas prefiro a intimidade da vila.” Oni aproveita a calma de onde mora para curtir a família e encontrar os amigos. No Carnaval, troca a rotina pelo agito da folia na companhia dos brothers do Urso.




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