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Energia escura

Brasil tem lugar de destaque em pesquisa mundial sobre expansão do universo

O estudo irá mapear 1/8 do espaço e pesquisadores brasileiros farão análise de qualidade dos dados coletados

Publicado em 19/09/2013, às 07h00

A câmera de energia escura (DECam) está instalada na no Observatório Inter-Americano do Cerro Tololo, no Chile / Divulgação
A câmera de energia escura (DECam) está instalada na no Observatório Inter-Americano do Cerro Tololo, no Chile
Divulgação
Gabriela Viana

Se envolvendo cada vez mais nas descobertas cósmicas, o Brasil tem papel importante nos estudos mundiais sobre a expansão acelerada do universo. Iniciado em 31 de agosto, o levantamento Dark energy survey (DES) – em português, o Levantamento da energia escura – busca mapear 1/8 (5 000 graus quadrados) do céu, para desvendar como o espaço se expande e como funciona a aceleração desse crescimento.

Até agora, o principal responsável pelo fato seria a energia escura, que, entre as muitas teorias levantadas sobre a sua definição, não estaria associada a matéria. Considera-se que ela estaria em todo lugar. Suas propriedades, no entanto, ainda são desconhecidas pelos astrônomos.

Quem vai analisar a qualidade dos dados obtidos pela pesquisa mundial são os profissionais do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), órgão com sede no Rio de Janeiro, no campus do Observatório Nacional.

O equipamento utilizado é a câmera de energia escura (DECam). Instalada num telescópio de quatro metros, o Victor M. Blanco, montado no Observatório Inter-Americano do Cerro Tololo, no Chile, a DECam é uma câmera digital de 570 megapixels.

Durante cinco anos, ela vai fotografar o universo e o material coletado será analisado pelos pesquisadores a partir de quatro métodos investigativos para o estudo da expansão acelerada: contagem de aglomerados de galáxias, detecção de supernovas, análise da curvatura da luz e descoberta de marcas de ondas sonoras que “contêm a história” da evolução do universo.



A pesquisa já tem oito anos, mas só agora foi iniciada a sua parte prática: o mapeamento do espaço sideral. “Como as observações que estão sendo feitas apresentam algumas distorções ou falhas, mesmo que mínimas,vamos realizar vários testes independentes (nos quatro métodos citados acima), para que a estimativa de erro fique menor numa análise geral”, explica o pesquisador do LIneA, Marcio Maia.

Ainda segundo Maia, o trabalho possibilitará o entendimento da nossa galáxia e da evolução dela. Como o foco é a energia escura, também haverão avanços no estudo e caracterização dessa força. Além disso, o resultado ajudará muitas outras áreas, a exemplo da busca por objetos raros e no desenvolvimento de telescópios mais potentes.


ENERGIA ESCURA
Caracterizar a energia escura ainda é algo impossível até pelos próprios cientistas. Acredita-se que ela está em todo espaço, porém, seu efeito só passou a ser significativo por volta dos 5 bilhões de anos do universo, quando ela começou a demonstrar força. Isso porque seu poder ficou maior que o da gravidade. Considera-se que ambas travam uma disputa no espaço, como num cabo de guerra, cada uma puxando para um lado.

Enquanto a gravidade promove a aglomeração da matéria, a energia escura faz com que as coisas se distanciem umas das outras. Uma possibilidade é de que a energia escura possui densidade constante. Por isso, a expansão do universo faz com que exista menos matéria por metro cubico dentro de um ambiente cada vez maior. Assim, a energia escura – que ocupa todo o espaço –, se torna mais poderosa, pois ganha maior alcance. E esse é o motivo de se acreditar que ela é a principal responsável pela expansão do universo.





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