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Como as medidas do novo presidente da Argentina podem prejudicar o turismo em Porto de Galinhas

Segundo dados do Ministério do Turismo, 35% dos turistas internacionais que desembarcam em Pernambuco por via aérea ou marítima são argentinos

Publicado em 18/12/2019, às 07h44

Segundo dados da Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, o fluxo de turistas argentinos no principal destino do litoral pernambucano já caiu 18% do ano passado para cá / Foto: Sergio Bernardo/Acervo JC Imagem
Segundo dados da Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, o fluxo de turistas argentinos no principal destino do litoral pernambucano já caiu 18% do ano passado para cá
Foto: Sergio Bernardo/Acervo JC Imagem

A iniciativa do novo presidente argentino, Alberto Fernández, de taxar em cerca de 30% gastos com produtos e serviços em dólar, incluindo passagens aéreas, reservas de hotéis no exterior e outros serviços vai afetar o turismo em Pernambuco. Segundo dados do Ministério do Turismo, 35% dos turistas internacionais que desembarcam no Estado por via aérea ou marítima são argentinos. Nessa terça-feira (17), o ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, detalhou o pacote de medidas enviado pelo novo governo ao Congresso em uma tentativa de reduzir as resistências da oposição na aprovação das mudanças econômicas. O conjunto de ações é polêmico e mescla pontos que dependem de aval de parlamentares com alterações já em vigor, feitas por decreto.

O setor turístico do Estado ainda não faz ideia de qual o impacto que a nova medida terá no segmento em Pernambuco, mas já faz tempo que a crise argentina dificultou a vinda dos “hermanos” ao Estado. Segundo dados da Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, o fluxo de turistas argentinos no principal destino do litoral pernambucano já caiu 18% do ano passado para cá. Em 2018, segundo a entidade, chegaram 100 mil argentino às praias do município de Ipojuca e adjacências, contra 82 mil registrados este ano.

Em Porto de Galinhas, o peso do turista argentino é bem maior em relação ao Estado. “O argentino representa 80% do público estrangeiro de Porto de Galinhas. Em 2019, por causa da crise econômica que eles atravessam, já sentimos uma redução de cerca de 20%. Sobre esse pacote anunciado pelo governo argentino, acredito que deve haver uma redução mas não tão grande como a gerada pela crise. Isso já aconteceu há alguns anos, esse mesmo tipo de taxação, e eles continuaram viajando. A comunidade argentina é uma das que mais valoriza a viagem em família, por isso é uma das maiores emissoras do mundo. Isso tudo é uma previsão, ainda é muito cedo, até porque ainda não está em vigor”, relatou a diretora executiva do Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, Brenda Silveira. Ela explica que, por se tratar de uma viagem internacional, a compra do pacote de viagem é feita em dólar e mesmo o Brasil sendo um País cuja a moeda é o real, termina influenciando no poder de compra da população daquele país.


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Procurado para comentar o assunto, o secretário de Turismo do Estado, Rodrigo Novaes, também destacou a grande importância que o público argentino dá aos gastos com viagens de férias e que o Estado vai procurar minimizar as novas perdas que, fatalmente, irão acontecer. “A Argentina continua sendo nosso mercado internacional mais importante. Eles amam viajar, e adoram nosso Estado. Vamos continuar a fortalecer essa relação, mesmo diante das dificuldades que aquele país está enfrentando. Essa medida, sem dúvida, irá impactar, vai ficar mais caro pra eles viajarem, mas tomaremos medidas também que possam diminuir esse impacto. Também estamos explorando outros mercados para que nosso turismo não venha a sofrer por conjunturas econômicas desfavoráveis”, disse.



Pedro Pragana, diretor da Recife Câmbio, correspondente do Banco Daycoval, diz que a medida do governo da Argentina em taxar em 30% as compras em dólar de seus cidadãos, deixou o Brasil 40% mais caro para eles. “Já sentimos falta dos turistas argentinos nas últimas férias. Santa Catarina recebeu um número muito menor. Eu acho que o pior fator foi a desvalorização da moeda, mas se comprarem as passagens ou gastarem no cartão, serão tributados. Acho que a crise econômica já fez com que os turistas desistissem de viajar”, comentou. Pragana observa, no entanto, que os argentinos poderão tentar fugir da taxação se trouxerem o peso argentino ao invés de dólares. “Antigamente isso era feito com frequência, o cara vendia os pesos no limite de RS 10 mil e depois comprava os dólares. Quem vier, virá com peso”, disse.

Argentina

A Argentina é o maior emissor de visitantes internacionais para o Brasil, segundo o Ministério do Turismo. Em 2018, 2,48 milhões desses turistas vieram ao país. Representaram quase 38% do total de estrangeiros em viagem ao Brasil, mas houve recuo de 4,72% frente a 2017.

Para as companhias aéreas brasileiras Latam, Gol e Azul, que voam para a Argentina, ainda é cedo para fazer prognósticos sobre o efeito da medida. A Azul lamentou que a atividade turística no Mercosul seja penalizada. "O aumento da carga tributária sobre o setor impacta diretamente o turismo, importante vetor de fomento econômico", informou a empresa em nota.




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